domingo, 24 de fevereiro de 2013

REGIÃO DO MARACÁ DEVE ABRIGAR O PRIMEIRO TERRITÓRIO QUILOMBOLA DO ESTADO

As comunidades de Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, Mari, Joaquina, Fortaleza e Laranjal do Maracá deverão abrigar o primeiro Território Quilombola do Amapá. Esses vilarejos ficam na isolada região do Maracá, na divisa dos municípios de Mazagão e Laranjal do Jari, na região Sul do Estado. Em 21 de abril do ano passado, foi fundada a Associação Quilombola dos Remanescentes das Comunidades do Igarapé do Lago do Maracá (AQRCILM), que também representa todas as comunidades do entorno. A Secretaria Extraordinária de Políticas para Afrodescendentes (Seafro) acompanha esse processo de organização coletiva desde o início. Com a entidade formalmente criada, agora a luta é pela criação do primeiro Território Quilombola oficialmente reconhecido do Amapá. Uma vez consolidada, será possível aos moradores desses lugares terem acesso facilitado a recursos do Poder Público, políticas de assentamento diferenciadas e maior articulação para os programas federais. Nilton Conceição Videira, primeiro presidente da associação, vislumbra novos tempos com esse acesso aos benefícios. “Esperamos que, com a associação formalizada e o território criado, União, Estado e Município comecem a olhar e fazer alguma coisa para melhorar a vida em nossas comunidades”, discursa dona Maria Divina de Jesus, de 81 anos, umas das moradoras mais antigas de Conceição do Igarapé do Lago do Maracá. Esta semana, durante cinco dias, uma equipe da Seafro percorreu todas as comunidades da região do Maracá, ministrando palestras, quando explicaram sobre o programa Brasil Quilombola, conjunto de ações do Governo Federal para as comunidades remanescentes de quilombos, sobre a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira em todas as escolas brasileiras, públicas e particulares, do Ensino Fundamental até o Ensino Médio e inclui o Dia da Consciência Negra no calendário escolar, além de apresentar aos moradores o Estatuto da Igualdade Racial. “É uma forma de levar essas legislações e programas ao conhecimento das populações, que têm pouco ou nenhum acesso à informação. O projeto ‘Seafro Presente Com Você’ tem cumprido o seu papel, de tirar a secretaria do gabinete e ir até as comunidades, ouvir os anseios dos moradores, conhecer a realidade e executar ações afirmativas de formas mais acertada possível, promovendo desenvolvimento para os moradores desses locais”, endossa João Ataíde, chefe de Gabinete da Seafro, que coordenou a equipe durante a viagem.
Conheça um pouco sobre as cinco comunidades:
Conceição do Maracá Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, vilarejo situado em um ramal de cerca de 14 quilômetros, na altura do Km 150 do eixo Sul da BR-156 (Macapá-Laranjal do Jari). De carro, é possível ir apenas até a esse ponto da viagem. Aos 59 anos de idade, seu Anastácio Trindade de Sousa é uma espécie de liderança comunitária do lugar. Ele relata que, hoje, a região precisa começar a sair do isolamento, mas ainda há muito a se fazer para que isso aconteça. “O Poder Público tem pouca presença aqui. Nossa esperança é que nosso lugar se desenvolva, para que nossos filhos não precisem mais sair daqui e tentar dias melhores na cidade”, afirma. Em Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, energia elétrica somente com um pequeno gerador, que funciona das 18h30 às 22h30. O grande sonho é a energia 24 horas chegando para os moradores. “Dá para assistir ao jornal e à novela das nove”, brinca dona Divaneide Trindade, sobre a energia com hora contada. A renda tem como base os programas sociais do governo, mas a agricultura e a pesca começam a se desenvolver, mesmo que de maneira bastante tímida. Na cultura, o ponto forte é a celebração da festa de Nossa Senhora da Conceição, em dezembro – com a realização de folias, como acontece em outras comunidades de Mazagão.
Mari: desafio é desenvolver a educação Depois de passar por Conceição, é hora de pegar um pequeno barco a motor e seguir para a pequena comunidade de Mari. O percurso fluvial pelo Rio Maracá dura cerca de uma hora, mas não se trata de uma navegação tranquila: é preciso enfrentar a obstrução dos igarapés pelos juncos, que formam obstáculos naturais que à noite representam grande perigo. Em Mari vivem cerca de 30 famílias, uma média de 100 pessoas, divididas em pequenas casas às margens do rio. Na economia, o destaque é para o extrativismo da castanha-do-brasil.
Joaquina e Fortaleza: nem a energia chegou Uma hora e meia de viagem de barco rabeta para chegar até à pequena comunidade de Joaquina, onde vive uma média de 15 famílias – cerca de 70 pessoas. Numa pequena capela, o culto a São Thomé, padroeiro celebrado e festejado na região. Em Joaquina, o isolamento e falta de infraestrutura são ainda maiores. Nem motor de energia existe. A alimentação é à base da caça e da pesca e os moradores ganham um pouquinho de dinheiro com a ainda tímida produção de farinha de mandioca e coleta de castanhas e produtos naturais. Do outro lado do Rio Maracá, a comunidade de Fortaleza, onde encontramos o morador Antônio Viana, de 49 anos, conhecido como “Cachimbo”. Numa casa ribeirinha, vivem apenas ele e a mãe, dona Luiza Gonzaga Alvina, de 88 anos. Experiente mateiro, Antônio nos acompanhou por uma pequena trilha. “Aqui, quando criança, achávamos vários objetos antigos, não sabíamos o que era”, conta.
Laranjal do Maracá: uma vila à margem da BR Nossa última parada foi na comunidade de Laranjal do Maracá, situada às margens do eixo Sul da BR-156, na altura do Km 180. Na localidade vivem cerca de 40 famílias, em casas espalhadas ao longo do entorno da estrada. A energia elétrica também é o grande gargalo desses moradores, que vivem basicamente da agricultura e do extrativismo. Na religião, a santa cultuada é Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A educação é oferecida em nível fundamental, em duas escolas, uma estadual e outra do município.
Gabriel Penha/Seafro
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

55 ANOS SEM COARACY NUNES, HILDEMAR MAIA E HAMILTON SILVA


     Há 55 anos morriam em desastre aéreo, o deputado Coaracy Nunes, seu suplente Hildemar Maia e o piloto Hamilton Silva, nas matas do Macacoary. Primeiro deputado federal da história do Amapá, Coaracy Nunes viajava para a vila do Carmo do Macacoary acompanhado do piloto Hamilton Silva para a festa de São Sebastião, padroeiro da localidade. Já de regresso, no dia 21, em consequência da cerração, o avião perde a visibilidade indo chocar-se com uma árvore, provocando o acidente. Não houve sobreviventes. Os três corpos ficaram carbonizados. Hildemar Maia foi também promotor da Comarca de Macapá, e Hamilton Silva desempenhava a função de piloto de aeronaves do Amapá. Segundo relato do padre Ângelo Negri, do Pime, ao jornalista Edgar Rodrigues, foi decretado luto oficial de oito dias em todo o Território por ocasião do desastre. Houve funeral solene na catedral com missa celebrada pelo bispo dom Aristides Piróvano.

     O corpo do piloto Hamilton Silva foi sepultado no cemitério de Nossa Senhora da Conceição, em Macapá. Hildemar Maia foi sepultado em Belém e Coaracy Nunes foi levado para o Rio de Janeiro. No aniversário da morte de Coaracy, Hildemar Maia e Hamilton Silva, eu não poderia me furtar de contar uma história que o Hélio Pennafort relatou numa de nossas reuniões etílicas No Bar do Abreu. A história foi originalmente contada ao Hélio pelo comandante João Batista Oliveira Costa, sobre um fato que presenciou no antigo aeroporto de Macapá. “Aconteceu no dia 23 de janeiro de 1958, quando esperávamos o avião da Cruzeiro, na época um DC-3, que levaria para o Rio de Janeiro o corpo do deputado Coaracy Nunes, morto dois dias antes num desastre de avião no Carmo do Macacoari. Havia muita gente no aeroporto e a tristeza era geral. 

     Quando o avião estacionou, o Jomar Tavares (que quando morou por aqui foi jogador, juiz e técnico de futebol) conversava com mais dois na minha frente. De repente ele se espantou ao reparar o prefixo do avião: PP-CCM. Tomado de superstição, ele apontou para a aeronave, avisando a seus parceiros que muita coisa ruim poderia acontecer ao Território. É que já ouviu falar que coisa boa não acontece quando uma tragédia pode ser reproduzida por um grupo de letras que, coincidentemente, se tornem visível no momento. E tornou a mostrar o prefixo do aparelho. “Não estou te entendendo, Jomar, que é que tem a ver o futuro do Território com o prefixo do avião”, disse um dos amigos. Jomar segurou o amigo pelo braço e explicou: O prefixo do avião é PP-CCM, que em linguagem aeronáutica significa “Papa Papa – Charlie Charlie Mike”, mas o diabo que pode significar também: PUTA PARIU – COARACY CAIU MACACOARI.”


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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A CRIAÇÃO DO TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ

Desde a época do Império já se discutia o controle de áreas fronteiriças no Brasil, a serem administradas pelo Poder Central. Com a chegada da República as discussões foram mais sólidas chegando à criação de Territórios Federais.
“... Porém, espaço geográfico nacional assim denominado, somente passou a fazer parte da organização político-administrativa brasileira, a partir de 25 de fevereiro de 1904, quando o Congresso Nacional, através da Lei nº 1.181, autorizou o Governo Federal a administrar o Acre que, em 17 de novembro de1903, havia sido incorporado ao Brasil, mediante a assinatura com a Bolívia do Tratado de Petrópolis. Presidia o país, Rodrigues Alves que em decorrência dessa prerrogativa, dia 7 de abril, editava o Decreto-Lei nº 5.188, elevando à região acreana a condição de Território, dividido em departamentos, governados por prefeitos nomeados e diretamente subordinados à Presidência da República.” ¹
Com a revisão constitucional de 3 de setembro de 1926, o artigo 34 parágrafos 16 e 31 davam autonomia para nossos governantes criarem territórios fronteiriços e administrá-los. Porém, o que fizeram foi continuar com a criação de núcleos coloniais. Quando Vargas assume o Poder no Brasil em 1930, retomadas preocupações peia soberania brasileira nessas áreas e as Constituições de 1934 e a de 1937 deram mais força para implementações e controles por parte do Governo Central de áreas fronteiriças.
“O anúncio de Vargas de integrar ao contexto nacional áreas longínquas, inóspitas e insalubres, marcadamente amazônicas, para que ‘deixasse de ser um capítulo da geografia para ser um capítulo da História da Civilização’, ocorreu quando esteve em Manaus em 10 de outubro de 1940. A inicial ação presidencial baseada nessa disposição, entretanto, foi econômica, dois anos após, reativando a exploração de borracha nativa em associação com os Estados Unidos, que não contemplou, efetivamente, regiões em que se projetava a autonomia.” ²
“Em 13 de setembro de 1943, as terras amapaenses que até então pertenciam ao estado do Pará foram transformadas em Território Federal do Amapá por decisão do Governo Federal, na época representado pelo presidente Getúlio Vargas. Mas afinal, oque significava, naquela época, tornasse um ‘território federal’? Acima de tudo, tal condição dava ao Governo Federal total controle sobre a região, o que significava dizer:
• Os governadores do território seriam escolhidos diretamente pelo presidente da República;
Não existiria uma Assembleia Legislativa, formada por deputados eleitos pela população local, fazendo leis próprias para a região, pois todas as leis ou medidas administrativas eram tomadas pelo Governo Federal ou por seus representantes no Amapá;
• A exploração das riquezas econômicas atenderia, em primeiro lugar, às necessidades e interesses do Governo Federal;
• A segurança da região seria responsabilidade do Governo Federal, sendo para isso criada a Guarda Territorial que objetivava manter a ordem interna, cabendo às Forças Armadas o controle das fronteiras.
Dessa maneira, entre os anos de 1943 até a transformação do território em estado, em 1988, a sociedade amapaense não teve o controle do seu próprio destino. Mas quais seriam os interesses dos governantes, na época, ao transformar o Amapá em Território Federal? De forma geral, os interesses que envolveram tal decisão foram:
• Segurança militar: na época, o mundo vivenciava a II Guerra Mundial, havendo uma preocupação do Governo Federal em controlar diretamente regiões de fronteiras, menos povoadas e desenvolvidas economicamente;
• Interesses econômicos: Como o Amapá possui uma localização privilegiada, sendo a porta de entrada do rio Amazonas, a administração direta da região daria ao Governo Federal um maior controle das riquezas da Amazônia.
VOCÊ SABIA: durante a II Guerra Mundial, foi construída no município de Amapá, a 300 quilômetros de Macapá, uma base aérea, administrada pelos Estados Unidos da América. A base aérea do município de Amapá tinha como objetivos defender o território americano de um ataque inimigo e garantir a operação de aviões da marinha dos Estados Unidos empenhados na guerra antissubmarina e nas atividades de salvamento de aviões no mar. Entre os anos de 1942 e 1945, o movimento de aviões e militares norte-americanos foi intenso. Atualmente, restam somente ruínas da antiga base, que está sendo transformada em um “museu aberto”.³
VOCABULÁRIO:
• AMAPÁ A palavra é de origem indígena e vem da nação Nuaruaque, que habitava a região norte do Brasil, na época do descobrimento. Já o nome do município de Amapá, assim como a do estado do Amapá originou-se de uma espécie de árvore brasileira ou amazônica chamada amapazeiro, que possui um tronco volumoso, cerca de um metro de diâmetro na base e casca espessa, por onde escorre um leite branco conhecido como leite do Amapá;
• TERRITÓRIO FEDERAL Áreas administradas pelo Poder Central, resultante de aquisição ou incorporação, juridicamente, denominado de Território, começou com os Estados Unidos da América, no século XIX, que ampliou substancialmente sua extensão.
CITAÇÕES:
¹ SANTOS, Fernando Rodrigues Dos. HISTÓRIA DO AMAPÁ: Da Autonomia Territorial ao Fim do Janarismo (1943 – 1970). P. 20.
² ______________ HISTÓRIA DO AMAPÁ: Da Autonomia Territorial ao Fim do Janarismo (1943 – 1970). P. 20. P. 23.
³ SOARES, Marcelo André e RODRIGUES, Mª Emília Brito. AMAPÁ: Vivendo a nossa história. pp. 68/69.
BIBLIOGRAFIA:
SANTOS, Fernando Rodrigues Dos. HISTÓRIA DO AMAPÁ. Macapá: Valcan, 6ª ed. 2001.
____________ HISTÓRIA DO AMAPÁ: Da Autonomia Territorial ao Fim do Janarismo (1943 – 1970). Macapá: Gráfica O Dia S.A., 1998.
SOARES, Marcelo André e RODRIGUES, Mª Emília Brito. AMAPÁ: Vivendo a nossa história. Curitiba: Base Editora, 2008.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ensino fundamental e Médio no Brasil ainda trabalha à moda antiga

 No mundo da TV de LCD, do telefone touchscreen, da conexão de internet banda larga, escolas de ensino fundamental e médio no Brasil ainda trabalham à moda antiga. Soma-se aos problemas arquitetônicos a falta de equipamentos que tornem a aula interessante aos olhos dos alunos. Centros de informática, por exemplo, pelos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), só está presente em 44% das escolas públicas de ensino fundamental. No caso dos laboratórios de ciências, a situação é ainda pior. Nem 8% dos estabelecimentos até o 9º ano contam com o espaço. Na parte física, há escassez de quadras esportivas e bibliotecas (veja infográfico). A falta de recursos, além de limitar o desenvolvimento do aluno, também inibe o potencial criativo do docente para preparar as aulas. “O professor do futuro é o da lousa inteligente, do computador, da televisão. Hoje, a escola não fascina os alunos. Obrigar um garoto, nos dias atuais, a assistir uma aula de giz é pedir demais a ele”, afirma o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que foi ministro da Educação em 2003, no início do governo Lula.

 “Equipar bem a escola é fundamental. Defendo que esses equipamentos sejam federais.” Manifesto criado há 80 anos para avançar na educação avançou pouco No país que escalou posições em termos econômicos, tirou milhares da pobreza extrema e conseguiu solidificar suas instituições democráticas, a constatação feita 80 anos atrás, no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, continua atual. “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação”, começava o documento histórico, marco do movimento brasileiro que definiu, em 1932, as bases para a construção de uma escola pública de qualidade. Oito décadas depois da carta aberta assinada por notáveis como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Cecília Meireles, as propostas lançadas, até hoje consideradas fundamentais para uma reforma educacional de verdade, tiveram avanços tímidos.

 Embora o acesso à educação tenha melhorado com 98% das crianças de 7 a 14 anos matriculadas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qualidade do ensino não evoluiu no mesmo ritmo. E temas defendidos ainda pelos pensadores da Educação Nova — como escola integral, valorização do professor e instalações de qualidade para a aprendizagem — são reavivados de tempos em tempos pelos governos e pela sociedade. “O manifesto trouxe uma ideia de planejamento absolutamente inédita naquele momento da história brasileira. Mas esse grande objetivo foi derrotado. Hoje, vivemos de improviso no campo da educação”, lamenta Romualdo Portela de Oliveira, professor de política educacional na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, a “única vitória” nesses 80 anos é que os temas continuam em discussão. 

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terça-feira, 5 de junho de 2012

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE JANARY GENTIL NUNES

Primeiro governador do Amapá é homenageado pelo Congresso 5/Junho/2012 Primeiro governador do Amapá, quando o estado ainda era um território federal, Janary Gentil Nunes foi homenageado em sessão solene do Congresso Nacional nesta segunda-feira (4). Falecido em 1982, ele completaria neste mês 100 anos. Ao abrir a sessão, o presidente do Senado, José Sarney, lembrou que o governo de Janary durou 12 anos, entre 1944 e 1956.– É impossível fazer justiça à história do desenvolvimento do Amapá sem trazer à lembrança sua figura – declarou Sarney, destacando que o homenageado teve carreira militar, foi presidente da Petrobras e embaixador do Brasil na Turquia.O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que solicitou a homenagem juntamente com o deputado federal Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), afirmou que “a história do Amapá não começa com Janary, mas não tem como ser contada sem se falar dele”. Randolfe frisou que a região estava “esquecida e abandonada” pelo governo brasileiro até 1943, quando foi criado o território do Amapá.– Janary foi designado para lá e tomou as medidas para instaurar a estrutura do atual estado. Ele transferiu a capital da cidade de Montenegro para Macapá, que era então um descampado – recordou.O senador ressaltou que, até a chegada de Janary, a capital não possuía escolas nem hospitais. Segundo o parlamentar, governador foi responsável pela construção de 20 grupos escolares e “o mais avançado centro hospitalar da Amazônia naquela época”. Randolfe disse que Janary Nunes também abriu grandes avenidas em Macapá, “resgatando a ideia de planejamento da cidade”.O senador destacou ainda que, antes do governo de Janary, Macapá tinha cerca de dois mil habitantes e, após sua gestão, esse número havia aumentado para 20 mil pessoas. Ao enumerar as realizações do primeiro governador do Amapá, o deputado Sebastião Bala Rocha disse que o homenageado iniciou os preparativos para a construção da hidrelétrica do Paredão e também o planejamento da construção da BR-156. Segundo o deputado, a atuação de Janary se tornou uma referência não apenas na Amazônia, mas em todo o país.– Foi por isso que, após governar o Amapá, ele foi presidente da Petrobras e embaixador na Turquia – sublinhou o deputado.Também participaram da sessão solene a vice-governadora do Amapá, Doralice Nascimento de Souza, o deputado federal Luiz Carlos (PSDB-AP) e familiares do homenageado, entre eles sua viúva, Alice Déa Nunes, e seus filhos. Da Agência Senado Disponível em http://www.correaneto.com.br

domingo, 15 de abril de 2012

O conceito de História local e o ensino da História

     Um dos principais problemas relacionados ao uso da história local no ensino da História é a definição e a abrangência desse conceito. De modo geral, as obras sobre história local reportam-se à história de pequenas localidades, escrita por pessoas de diferentes segmentos sociais, não necessariamente historiadores. Esse fato tem provocado várias crises e até certo descaso pelos conteúdos da história local. Atualmente, na produção historiográfica, algumas obras indicam novo enfoque sobre a história local, motivado, principalmente, pelo interesse pela história social, ou seja, pela intenção de recuperar a história das sociedades como um todo, a história das pessoas comuns.

     A valorização da história local pelos historiadores teve reflexos nas propostas curriculares nacionais, como se pode observar nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental (1997-1998) e para o ensino médio (1999), nos quais as atividades relacionadas com o estudo do meio e da localidade são, enfaticamente, indicadas como renovadoras para o ensino da História e salutares para o desenvolvimento da aprendizagem. No entanto, uma supervalorização dessa perspectiva de ensino também foi alimentada, provocando a ilusão de que a realidade imediata é a única e importante fonte de motivação do conhecimento e desencadeadora de problematizações. Essa exposição advém muito mais de elaborações de senso comum e da transposição mecânica de teorias de aprendizagem que de reflexões e relações com conteúdos específicos da História.

     Algumas questões precisam ser consideradas ao propor o uso da história local no ensino da História. Em primeiro lugar, é importante observar que uma realidade local não contém, em si mesma, a chave de sua própria explicação, pois os problemas culturais, políticos, econômicos e sociais de uma localidade explicam-se, também, pela relação com outras localidades, outros países e, até mesmo, por processos históricos mais amplos. Em segundo lugar, ao propor o ensino da história como indicador de construção de identidade, não se pode esquecer de que, no atual processo de mundialização, é importante que a construção de identidade tenha marcos de referência relacionais, que devem ser conhecidos e situados, como local, o nacional, o latino-americano, o ocidental e o mundial.

     Tais questões indiciam que, como definição curricular para o ensino, a história local traz uma maneira de pensar e fazer a História, em termos de aprendizagem e concepções, bastante problemática, à qual podem ser acrescidas questões como anacronismo, desenvolvimento de perspectivas etnocêntricas, reducionistas e localistas bem como o perigo da identificação local como o mais próximo e o mais conhecido, provocando, assim, o estabelecimento de uma relação mecânica entre o próximo e o já conhecido.

     Como elemento constitutivo da transposição didática do saber histórico para o saber escolar, a histórica local pode ser vista como estratégia pedagógica. Trata-se de uma forma de abordar a aprendizagem, a construção e a compreensão do conhecimento histórico com proposições que podem ser articuladas com os interesses do aluno, suas aproximações cognitivas, suas experiências culturais e com a possibilidade de desenvolver atividades diretamente vinculadas à vida cotidiana. Como estratégia de aprendizagem, a história local pode garantir melhor apropriação do conhecimento histórico baseado em recortes selecionados do conteúdo, os quais serão integrados no conjunto do conhecimento.


Maria Auxiliadora schmidt e Marlene Cainelli. Ensinar História. São Paulo, Scipione, 2010, páginas 137-138-139.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA DA CAPITAL

     HISTÓRIAS DA CAPITAL. Afinal quantos anos Macapá tem?


     Historiador, Carlos Alberto, iniciou um artigo que poderá ser defendido como tese de mestrado, onde afirma que a data de Macapá está errada.

     Em 04 de fevereiro de 1758 nascia a Vila de São José de Macapá, que séculos depois passaria a ser conhecida como Macapá, a única capital brasileira banhada pelo maior Rio do mundo, o Amazonas, que junto com os moradores da cidade criou muitas lendas, histórias e jeitos tipicamente Tucujus.

     A história da capital se prende à defesa e à fortificação das fronteiras do Brasil Colônia, fato que levou a instalação de um destacamento Militar em 1738, 20 anos antes da criação da vila. Posteriormente a esse fato colonos começaram a se instalar na nova cidade, que em 1752 já tinha mais de 1500 moradores, um número que em termos históricos e geográficos já é superior ao que se encaixa na determinação de Vila.

     É baseado nesses dados que o Historiador, Carlos Alberto, docente da Universidade Federal do Amapá (Unifap), iniciou um artigo, que poderá ser defendido como tese de mestrado, onde afirma que a data que a população comemora o nascimento da vila está errada.

     Segundo o historiador as comemorações em datas erradas é um fato que acompanha muitas cidades brasileiras, fato que há mais de 10 anos vem levando historiadores a refazerem pesquisa, para as devidas correções. “Essas modificações já ocorreram em Santarém – PA e São Paulo – SP, onde as datas foram corrigidas através de estudos científicos”, explicou Carlos.

     Para o Docente, em Macapá não poderia ser diferente, pois a data de comemoração em 04 de fevereiro de 1758 foi apenas um marco simbólico, momento em que na Presença do Capitão General do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, foi levantado o Pelourinho, que em documentos históricos marca a fundação da Vila. “Porém essa celebração foi apenas uma constituição legal, perante as autoridades, pois antes dessa data, muitas pessoas já moravam e já faziam a história da Cidade”, contou.

     JORNAL DO DIA 04 DE FEVEREIRO DE 2012.

     DISPONÍVEL EM:http://jdia.com.br/pagina.php?pg=exibir_not&idnoticia=47295