sábado, 19 de abril de 2014

A POPULAÇÃO INDÍGENA NO AMAPÁ



 
A POPULAÇÃO INDÍGENA NO AMAPÁ
           Índios do Brasil antes da chegada dos portugueses: cultura e sociedade
Diversos povos indígenas habitavam o Brasil muito tempo antes da chegada dos portugueses em 1500. Cada povo possuía sua própria cultura, religião e costumes. Viviam basicamente da caça, pesca e agricultura. Tinham um contato total com a natureza, pois dependiam dela para quase tudo. Os rios, árvores, animais, ervas e plantas eram de extrema importância para a vida destes índios. Por isso, os índios respeitavam muito a natureza. Os índios viviam em tribos e tinham na figura do cacique o chefe político e administrativo. O pajé era o responsável pela transmissão da cultura e dos conhecimentos. Era o pajé que também cuidava da parte religiosa e medicinal, através da cura com ervas, plantas e rituais religiosos.
Faziam objetos artesanais com elementos da natureza: cerâmica, palha, cipó, madeira, dentes de animais, etc. A religião indígena era baseada na crença em espíritos de antepassados e forças da natureza. Os índios faziam festas e cerimônias religiosas. Nestas ocasiões, realizavam danças, cantavam e pintavam os corpos em homenagem aos antepassados e aos espíritos da natureza. Historiadores calculam que existiam de 3 a 4 milhões de índios no Brasil antes de 1500, espalhados pelos quatro cantos do país.
* Observação: felizmente, muitos dos aspectos culturais citados acima ainda fazem parte da vida de muitos povos indígenas brasileiros que resistiram até hoje às influências da cultura dos brancos.
Contato com os portugueses.
O contato dos índios brasileiros com os portugueses foi extremamente prejudicial para os primeiros. Os índios foram enganados, explorados, escravizados e, em muitos casos, massacrados pelos portugueses. Perderam terras e foram forçados a abandonarem sua cultura em favor da europeia. Embora muitas nações indígenas tenham enfrentado os portugueses através de guerras, ficaram desfavorecidos, pois não tinham armas de fogo como os portugueses.
Os índios do Brasil na atualidade
Atualmente somente cerca de 400 mil índios vivem no Brasil. Muitas tribos, influenciadas pela cultura dos brancos, perderam muitos traços culturais. É muito comum encontrar em tribos indígenas atuais, índios falando em português, vestindo roupas e até usando equipamentos eletrônicos. Ao entrarem em contato com os brancos, muitos índios, além de perderem aspectos culturais, contraem doenças e morrem. A contaminação de rios, principalmente por mercúrio vindo dos garimpos, também leva doenças para os índios através de seu principal alimento: o peixe.
Algumas tribos isoladas conseguiram ficar longe da influência branca e conseguiram manter totalmente intacta sua cultura. Infelizmente, são poucas tribos nesta situação. A maior parte destas tribos está localizada na região da Amazônia. Muitos povos indígenas tem se mantido graças à criação, nos últimos anos, de reservas indígenas. Nestas áreas, ficam longe da presença de pessoas que pretendem explorar riquezas da natureza.

Mapa de Áreas Protegidas e Reservas Indígenas do Estado do Amapá na Região Norte do Brasil.
OS ÍNDIOS DO AMAPÁ
            Os primeiros contatos
Os índios do Amapá são os únicos do país que têm o privilégio de possuir todas as suas reservas demarcadas, sem invasões de garimpeiros, madeireiros e agricultores. Os primeiros contatos entre o índio e o europeu têm o registro de 1500, quando Pinzón esteve aqui. O Estado abriga vários tipos de etnias, distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi. A história dos índios no Amapá é cheia de episódios épicos e pela própria história de nossa gente.
Tucuju, primeiros habitantes?
Apesar de atualmente extintos, os Tucuju atualmente são o carro-chefe para se desvendar um pouco da história do Amapá na fase pré-pinzônica. Parte de sua história já tentamos relatar, unindo ficção e realidade, em uma obra que tivemos a oportunidade de lançar em 1997. Como eles vieram ao Amapá? Pinzón teve contatos mais próximos com eles em 1513, quando retornava à costa das Guianas. Além dos Tucuju, Pinzón teria avistado também os Palicur, os Mayé, os Itutan e os Maraon. Outro contato aconteceu em 1604, quando o naturalista francês Jean Mocquet, em viagem de estudos à então Costa Palicúria, relatou uma guerra que teria ocorrido entre os Palicur e os Galibi, e a vitória da nação palicur com a ajuda dos Tucuju.
O domínio hispano-português (1580 a 1640) fez com que várias expedições chegassem até aqui, com intenções puramente de exploração. Nas construções de feitorias e postos de embarque, os colonos passaram a aprisionar gentios que, a princípio surgiam como promissora mão-de-obra para suas empresas. A intervenção dos missionários jesuítas convenceu a Coroa espanhola a expedir uma Carta-Régia datada de 15 de maio, estabelecendo a libertação de todos os índios escravizados pelos colonos portugueses.
Em 1639, um jesuíta espanhol (Cristobal de Acuña), realizando estudos cartográficos na margem guianense do Amazonas, consegue localizar um forte e uma missão portuguesa, com vários índios catequizados. Entre eles estavam os Tucuju. Essa missão ficava localizada, segundo Acuña, às proximidades de Almeirim e Macapá.  Além da pressão exercida pelos jesuítas, que proliferam numa espécie de binômio catequese-submissão ao colonizado, por volta de 1650 um fator muito forte iria dizimar parte dos grupos de missões: a peste bubônica, a malária e o sarampo.
De origem tupi, o vocábulo Tucuju é uma transliteração de Tucumã, espécie de palmeira natural da Amazônia (A. Princeps Var Sulphurium), com frutos graúdos e oleosos usados na feitura do vinho, licor e mingau.  Colonizadores e aventureiros, no início do século XV, levantaram propostas visando a criação da Província dos Tucuju, com a tentativa de resgatar o nome, em homenagem aos habitantes primitivos, mas isso não passou do papel.
Arthur Cezar Ferreira Reis nos informa que a população desses índios na fase de maior ebulição demográfica, não passou de duas mil pessoas. Ele menciona também que esses Tucuju eram muito acessíveis e que, inicialmente fizeram amizade com os franceses possibilitando, assim, o contrabando e a descoberta de veios auríferos entre a região que vai do Oiapoque a Saint Georges. Isto, sem dúvida alguma, representou uma ameaça à soberania portuguesa que, no período das fortificações, construídas ao longo do vale do Oiapoque, provocou um verdadeiro êxodo dessa gente para o outro lado, onde se aculturavam e passavam a viver como "civilizados". Muitos desses índios e índias passaram a residir em Paris, como retribuição à "ajuda" que eles deram ao governo francês, na localização das minas de ouro.
O tratamento grosseiro atribuído a portugueses como Bento Maciel Parente e seus filhos, a essa gente, consistia em castigos excessivos, assassinatos, estupros, exploração doméstica e sexual das índias jovens, e foram propícios a que esses índios se fizessem amigos dos "louros de fala macia" (franceses), que ao contrário dos lusos, passaram a presenteá-los com aves (frangos, galos, perus) exóticas, espelhos, pentes etc, além de viagens a Paris, de onde sempre não retornavam.
Essas "vantagens" proporcionadas pelos franceses aos Tucuju tiveram forte repercussão na Coroa portuguesa que resolveu, com a ajuda dos jesuítas, mudar de estratégia. Assim, chegaram ao Cabo do Norte várias galeras, com presentes vindos até de outras colônias, constituídos de sedas, utensílios domésticos e pagamentos de vantagens a todos que conseguissem fazer dos Tucuju seus amigos. Assim, a Carta Régia de 27 de novembro de 1699 estabelecia "que todos os portugueses deverão dispensar aos Tucuju um tratamento especial, levando-os a ter  uma vida mais respeitosa". Estavam incluídas no referido documento, imposições de penas a quem contrariassem a ordem régia, assim como menções honrosas a quem cumprisse integralmente os preceitos da Carta. Mas já era tarde demais. A maioria dos Tucuju migrou para a região das Guianas, aculturando-se. Os que ficaram, os mais velhos, foram desaparecendo aos poucos até se extinguirem completamente, em 1758.
Karipuna
A maior parte da população indígena que atualmente se define como Karipuna encontra-se nas margens do rio Curipi, principalmente no seu baixo e médio curso, na Área Indígena do Uaçá. Além das quatro aldeias maiores e principais, Manga, Espírito Santo, Santa Isabel e Açaizal, existem várias localidades residenciais dispersas ao longo do rio Curipi: Zacarias, Inglês, Mahipá, Txipidon, Paxiubal, Bastião, Campinho, Kutiti, Tauahu, Xato, Bovis, Taminã e Japim. Apesar da dispersão, cada uma dessas localidades reconhece sua conexão com uma das quatro aldeias maiores.
Na BR-156, que liga as cidades de Oiapoque e Macapá, estão localizadas mais três aldeias Karipuna: a aldeia Piquiá, no Km 40, a aldeia Curipi, no Km 50, e a aldeia Estrela no Km 70. Esta estrada corta a área indígena do Uaçá justamente na região das cabeceiras dos rios Uaçá, Curipi, afluentes e da zona de reservas faunísticas, onde são realizadas expedições de caça e coleta de frutas silvestres e de onde se retira a madeira para construção de casas, barcos e canoas. Esta região sempre foi vítima de caça e pesca predatória, e com a abertura da BR-156 o acesso de invasores ficou ainda mais fácil. Há ainda, mais duas aldeias Karipuna situadas no rio Oiapoque: Ariramba, situada dentro da Área Indígena Galibi e, Kunanã, localizada na Área Indígena do Juminã.
A paisagem natural dessas reservas é caracterizada pela presença de uma extensa bacia hidrográfica constituída pelos rios Oiapoque, Curipi, Urukauá, Uaçá e Cassiporé. Com exceção do rio Oiapoque, cuja nascente está fora e distante das reservas indígenas, a paisagem que caracteriza os alto      s e médios cursos dos demais rios é a floresta tropical de terra firme, de onde provém a madeira e a caça de que precisam esses povos. As agências que atuam entre os Karipuna, que atualmente contam 1.656 pessoas (FUNAI 1998), são a FUNAI, o CIMI e a FNS.
Palikur
Os Palikur, falantes de uma língua Aruak, estão localizados nos dois lados da fronteira Brasil-Guiana Francesa. A população em território brasileiro, estimada em 862 habitantes (FUNAI 1998), distribui-se em 10 aldeias (Kumenê, Flecha, Puwaytyket, Kamoywa, Tawary, Monge, Urubu) assentadas nos tesos que se levantam ao longo do rio Urucauá, afluente da margem direita do rio Uaçá. Localizada no extremo-norte do Estado do Amapá, a bacia do rio Uaçá, compreende dois afluentes, o Curipi e o Urucauá. Das cabeceiras dos três rios até próximo ao curso médio a vegetação é de terra firme, mas, a partir do curso médio seguindo em direção à foz, a vegetação muda e é tomada por campos alagados, entrecortados por terras mais elevadas que permitem a ocupação humana. Do lado francês, os Palikur vivem dentro do perímetro urbano de Caiena e Saint Georges de L´Oyapock, em bairros construídos pelo governo especialmente para abrigá-los, e em aldeias localizadas na margem esquerda do rio Oiapoque.
As terras ocupadas pelos Palikur fazem parte da Área Indígena do Uaçá e são contíguas à Área Indígena do Juminã (homologada pelo decreto S/Nº de 21 de maio de 1991). Além dos Palikur, muitos falam ou compreendem o patuá, utilizado como língua indígena pelos Karipuna e pelos Galibi-Marworno. Do lado brasileiro, a maioria dos jovens escolarizados e alguns homens falam o português. Na Guiana, por influência da escola francesa, quase todos falam o francês, com exceção dos mais velhos e de algumas mulheres. As agências de contato que atuam entre os Palikur atualmente são a FUNAI, que possui um Posto Indígena na aldeia Kumenê e cujo chefe é um Palikur; a FNS, e a Secretaria de Educação do GEA. Durante 12 anos (1965 a 1977), um casal de missionários linguistas do Summer Institute Of Linguistics (SIL), trabalhou junto aos Palikur. Sua base foi a aldeia Kumenê, na qual, em meados da década de 1980, foi construída uma igreja filiada à Igreja Evangélica Assembléia de Deus. A maior concentração da população nesta aldeia deve-se ao grande número de pessoas convertida ao credo pentecostal.
Galibi
Os Galibi do Oiapoque - Galibi é a autodenominação de um grupo indígena que vive no Oiapoque e de outro que vive na Guiana Francesa, nos rios Maroni e Mana. Na Guiana Francesa eles se definem como Kaliña, tendo Galibi como designação genérica utilizada pelos europeus para se referir aos povos de fala Caribe do litoral das Guianas.
Os Galibi são poliglotas. Além de manterem parcialmente sua língua original, falam, também o patauá, língua geral utilizada no contato com as outras etnias da região. Falam o português e usam esta língua na aldeia e para os contatos externos. Conhecem o francês, pelo menos os mais velhos que foram alfabetizados e educados nesta língua, e entendem um pouco do patuá holandês.
A aldeia São José dos Galibi permanece onde foi instalada em 1950, quando o grupo chegou à área. Localiza-se na margem direita do Oiapoque, logo abaixo da cidade de Saint Georges, em um trecho de terra firme cercado de roças familiares e mata. Atualmente a aldeia conta com sete casas, habitadas em média por duas pessoas. Muitos Galibi vivem fora da aldeia, nas cidades de Oiapoque, Macapá, Belém e Brasília. Os que habitam a cidade do Oiapoque, muitos deles funcionários públicos, sempre voltam à aldeia nos fins de semana e durante as férias. Os que habitam outras cidades visitam esporadicamente seus parentes. Apesar de um aumento demográfico, o número dos que permanentemente residem na aldeia tem diminuído: eram 38 em 1950, 28 em 1994 e 25 em 1999.
A aldeia São José dos Galibi é também a sede do PI Galibi. Há um chefe de posto da FUNAI que é um índio Karipuna da aldeia de Santa Isabel e que também é enfermeiro. O líder da comunidade, Geraldo Lod, tem mantido uma atitude de autonomia, mas, de bom relacionamento com a FUNAI. Ele escolhe e avalia os funcionários da aldeia que hoje são apenas o chefe de posto e o professor. Participa das assembléias dos Povos Indígenas do Uaçá e de movimentos coletivos reivindicatórios. As terras ocupadas pelos Galibi correspondem basicamente ao território onde se instalam em 1950. Constituem a Reserva Galibi com uma superfície de 6.689,928 hectares, conforme a portaria nº 1.369/E, de 24 de agosto de 1962, e homologada em 1982 (Diário Oficial da União de 22 de novembro de 1982).
Galibi Marworno
A denominação Galibi Marworno, hoje assumida pelos índios do rio Uaçá, revela uma população heterogênea, composta por descendentes de povos Caribe e Aruaque (Galibi, Maruane e Aruã), antigos habitantes da Guiana Francesa, sul do Amapá e bacia do Uaçá. Um número de moradores, por outro lado, é descendente de regionais e de imigrantes não-índios que se casaram com índias do Uaçá. Os índios, até pouco tempo atrás, não se autodenominavam desta forma. Eles se identificavam como "do Uaçá" na época em que viviam dispersos em grupos locais, nas ilhas do Alto Uaçá. Mais tarde, a partir do final de década de 40, na época do SPI (Serviço de Proteção ao Índio), quando instalados no Village Sainte Marie em Kumarumã, passaram a se identificar, em conjunto, como Galibi e, mais recentemente, orientados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e com a autorização do ex-chefe Manoel Floriano Marcial, como Galibi-Marworno, se diferenciando assim dos Galibi de Oiapoque.
A língua dos Galibi-Maworno históricos entrou em desuso há pelo menos 100 anos, mas um número expressivo de palavras, especialmente referentes à fauna e a flora, continuam sendo utilizadas. Em alguns cantos xamânicos, por exemplo, é possível verificar trechos em "língua antiga". Orientados pelo SPI, os Galibi-Marworno vivem, desde o final dos anos 40, concentrados em uma única aldeia, Kumarumã, na margem esquerda do uaçá. Essa "união" é considerada, pelo menos até hoje, motivo de orgulho. As terras ocupadas pelos Galibi-Marworno fazem parte da Area Indígena do Uaçá, com uma superfície de 41.164,036 hectares, homologada pelo Decreto nº 298 (Diário Oficial da União, 30 de outubro de 1997).
Na década de 70, tendo em vista as reivindicações pela demarcação da terra e da luta política para diminuir os danos da Rodovia BR-156 dentro da área indígena, lançou-se mão da designação "Povos Indígenas do Oaipoque". Posteriormente, em 1991, foi criada a Associação dos Povos Indígenas do Oaipoque (Apio), para representar todas as etnias desta região. Assim como os Karipuna, os Galibi elegeram vereadores, em mandatos sucessivos, na Câmara de Vereadores de Oiapoque e, em 1996, o índio João Neves foi eleito prefeito do município de Oiapoque.
As agências que atuam entre os Galibi-Marworno são a FUNAI, a FNS e a Secretaria de Educação do GERA. O Cimi, por sua vez, orienta programas de educação em kheuol (criolo) além das atividades religiosas. Desde 1998 também atuam na aldeia um casal de missionários evangélicos da Missão Novas Tribos do Brasil. A população Galibi-Marworno está aumentando significativamente nos últimos anos, e conta com 1631 pessoas, sando 1509 de Kumarumã, 34 de Tukay e 88 de Uahá (FUNAI, 1998).
Texto elaborado por Edgar Rodrigues. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

O EQUINÓCIO



Equinócio significa o momento em que o sol incide com maior intensidade sobre as regiões que estão localizadas próximo à linha do equador. O termo tem origem na junção dos termos latinos aequus (igual) e nox (noite). Quando ocorre o equinócio, os dias e a noites têm igual duração (exatamente 12 horas). O equinócio ocorre durante os meses de março e setembro, quando há mudança de estação. No momento do equinócio, a luz solar incide de igual maneira sobre o hemisfério norte e sobre o hemisfério sul. No hemisfério sul, o equinócio que ocorre em março (dia 20 ou 21), marca o início do outono e o de setembro (dia 22 ou 23), marca o início da primavera. No hemisfério norte acontece situação inversa, em setembro inicia o outono e em março, a primavera.

O dia do equinócio de primavera e de outono pode variar de ano para ano, devido ao ano solar (trópico) ter 365 dias e mais algumas horas (365 d 5h 48m 46s). Portanto, o equinócio de outono (ou ponto Libra) acontece no hemisfério que transita do verão para o outono e o equinócio de primavera (ou ponto Vernal) acontece no hemisfério que passa do inverno para a primavera. Graças ao fenômeno da precessão dos equinócios, estes não têm uma posição fixa, e se deslocam um pouco todos os anos.

Equinócio das Águas: Programação ocorre no período de 18 a 21 deste mês.

Com o tema Equinócio de Março 2014: "Água para Todos", o Governo do Amapá, através da Secretaria de Estado do Turismo (SETUR) e parceiros, promove a programação do fenômeno do Equinócio das Águas. Como parte da programação do Ano Estadual da Água, as atividades vão contar com experimentos científicos, exposições, tour cultural e pedagógico, receptivos e a participação de estudantes da rede pública. Este ano, a temática "Água para Todos" pretende apresentar a comunidade estudantil, visitantes e turistas, experimentos científicos a cerca do Equinócio; projetos relacionados à captação, tratamento e distribuição de água; além da valorização; importância; e a influência da água no dia a dia da população em geral.

A capital Macapá é privilegiada pelo fenômeno do Equinócio, que acontece duas vezes ao ano, nos meses de março e setembro, marcando o início das estações de outono e primavera. Março é o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul. Em setembro ocorre o inverso. No dia do Equinócio, tanto o dia quanto a noite tem a mesma duração.

O fenômeno do Equinócio deste ano acontecerá no dia 20 de março (quinta-feira), às 16h57min, porém, já poderá ser contemplado a partir das 15h. Neste dia, a programação dará ênfase à astronomia, abordando a influência dos astros nas mudanças das marés, o fenômeno das águas, no aspecto do dia a dia da população amazônica, o fenômeno da Pororoca e a sustentabilidade da água para o mundo e o turismo.

Confira a programação:

Dia 18/03 – Terça-feira: Manhã: Programação da 2ª Reunião Ordinária do Fórum Estadual de Turismo – FETur 2014 e abertura do Equinócio de Março 2014 – "Água para todos". Salão Nobre do Palácio do Setentrião. 08h00: Solenidade de abertura e pautas do FETur a serem demandadas pelo trade turístico; 12h30: Encerramento
Dia 20/03 – Quinta-feira: Manhã: Programação do Equinócio das Águas – Monumento Marco Zero do Equador. 08h00: Visitação do público ( Planetário, Experimentos Científicos, Exposição uma "viagem" ao Equinócio, Teatro etc ). Tour Pedagógico (Fortaleza de São José de Macapá e Monumento Marco Zero do Equador); 12h00: Intervalo para almoço; Tarde: Celebração do Fenômeno do Equinócio – Monumento Marco Zero do Equador. 14h00: Visitação do público em geral e Escola Vai ao Meio do Mundo ( Planetário, Experimentos Científicos, Exposição uma "viagem" ao Equinócio, Teatro, Dança e Música). 16h00: Explicação preliminar sobre o fenômeno do Equinócio; 16h57: Fenômeno do Equinócio com Queimas de fogos; 17h00: Apresentação de Show Regional; 17h30: Apresentação de Dança Regional; 19h30: Encerramento da programação de celebração.
Dia 21/03 – Sexta-feira: Manhã: Programação do Equinócio das Águas – Monumento Marco Zero do Equador. 08h00: Visitação do público ( Planetário, Experimentos Científicos, Exposição uma "viagem" ao Equinócio, Teatro etc ). Tour Pedagógico (Fortaleza de São José de Macapá e Monumento Marco Zero do Equador); 12h00: Intervalo para almoço; Tarde: Programação do Equinócio das Águas – Monumento Marco Zero do Equador. 14h00: Visitação do público ( Planetário, Experimentos Científicos, Exposição uma "viagem" ao Equinócio, Teatro etc ). Tour Pedagógico (Fortaleza de São José de Macapá e Monumento Marco Zero do Equador); 18h00: Encerramento.
Por ser a única capital do País cortada pela linha imaginária do Equador, Macapá atrai milhares de pessoas todos os anos ao Monumento Marco Zero do Equador. O monumento está localizado no 'meio do mundo', onde divide os hemisférios Norte e Sul para visualizar a passagem do sol pelo obelisco.

FONTES:




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA



DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA
O "Dia da Consciência Negra" retrata a disputa pela memória histórica. Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 dia de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".
Como surgiu o Dia da Consciência Negra
No dia 20 de novembro de 1695, o negro Zumbi, chefe do Quilombo dos Palmares, foi morto em uma emboscada na serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou, também, com o início da destruição do Quilombo. O Quilombo dos Palmares foi uma comunidade criada pelos escravos que fugiam de seus senhores para viver em liberdade. Houve uma época em que o Quilombo abrigou mais de 20 mil pessoas. Zumbi nasceu no Quilombo, mas, ainda recém-nascido, foi capturado e entregue a um padre, que lhe deu o nome Francisco, o ensinou a ler e a escrever. Aos 15 anos de idade, o menino resolveu voltar ao Quilombo, onde, pouco tempo depois, tornou-se líder. Em 1995, após 300 anos de sua morte, Zumbi foi reconhecido como herói nacional.
As rebeliões de escravos foram bastante frequentes no período colonial. Os negros fugidos escondiam-se na mata e organizavam-se em grupos, para sobreviver à hostilidade do ambiente e às investidas dos brancos. Os grupos, internamente coesos, recebiam o nome de quilombos e as aldeias que os compunham, de mocambos. O mais conhecido dos quilombos foi de Palmares, pois foi o que mais tempo durou (1630 -1695), o que ocupou maior área territorial (cerca de 400 km2 dos atuais estados de Pernambuco e Alagoas) e o que resistiu mais bravamente aos ataques dos brancos. Palmares se organizou como um verdadeiro Estado - com as estruturas dos estados africanos, onde cada aldeia tinha um chefe, os quais elegiam seu rei - e possuía um verdadeiro exército, além de fortificações em torno das aldeias, que deixaram os comandantes brancos admirados.
Tinha uma produção agrícola bem avançada, que dava para a subsistência das aldeias e ainda produzia um excedente que podia ser negociado com mascates e lavradores brancos. No entanto, a própria existência de um Estado independente dentro da colônia era inaceitável para os portugueses, que consideravam Palmares como seu maior inimigo, depois dos holandeses. O primeiro rei de Palmares foi Gangazumba, que comandou uma bem-sucedida resistência, repelindo dezenas de expedições dos brancos. Em 1678, assinou uma trégua com o governador Aires de Souza e Castro - atitude que dividiu o quilombo. Em consequência, Gangazumba terminou por ser envenenado. Foi substituído por Zumbi que já era um líder respeitado e que se tornou o grande herói dos Palmares. Várias investidas foram feitas contra o quilombo: duas ainda sob o domínio Falar sobre o Dia da Consciência Negra nos faz parafrasear Patativa quando ele propõe o respeito às diferenças. Acreditamos que isto não deve ser encarado como concessão ou exceção a uma regra socialmente estabelecida, mas como o direito de igualdade em oportunidades entre os indivíduos. O dia 20 de novembro marca o assassinato do líder Zumbi dos Palmares, oficializado herói nacional, por ocasião do tricentenário de sua morte em 1996. Símbolo da resistência contra o racismo, a opressão e as desigualdades sociais. Marca da resistência dos povos contra o colonialismo, o imperialismo e o terrorismo em todo o mundo, sob todas as formas.
Construindo o "Dia da Consciência Negra"
O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja, bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares. Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o "Dia da Consciência Negra", pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o "Dia da Abolição da Escravatura" em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A ideia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.
A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afrodescendente”. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de ideias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural.
“Grande parte da população envolvida celebra com samba, churrasco e muita cerveja”, conta o historiador Andrelino Campos, da Faculdade de Formação de Professores, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "É importante que se conquiste o "Dia da Consciência Negra" como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico". Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".
O projeto neoliberal implantado em nosso país acirra as desigualdades, afetando, ainda mais, as parcelas menos favorecidas da população brasileira. Em pesquisa realizada pelo DIEESE (1998) são apresentadas informações que comprovam a discriminação à população negra, tomando por base as regiões metropolitanas.
Taxas de Desemprego por Sexo e segundo a Raça
Os dados apresentados demonstram que as taxas de desemprego entre homens e mulheres, negros (as) e não negros (as) ainda registram valores muito elevados. Se compararmos a diferença das taxas entre homens negros e não negros, com mulheres negras e não negras, a maior diferença estará em relação às mulheres negras, já que estas apresentam, em todas as regiões, as maiores taxas de desemprego. No entanto, este debate não se encerra na mera inserção no mercado de trabalho. Deve ser acompanhado pelos números que registram a taxa de analfabetismo o número de anos de permanência na escola e a média de rendimentos salariais.
Na Síntese dos Indicadores Sociais - IBGE (2000) é apontado que, em 1999, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos é de 20%, enquanto entre os brancos cai para 8,3%. Quando demonstra o número de anos de permanência na escola as estatísticas não são diferentes: os pretos passam 4,5 anos, os pardos 4,6 anos e os brancos 6,7 anos. Isto demonstra que os pretos e pardos saem mais cedo da escola, o que irá refletir, diretamente na população jovem, quanto ao acesso ao nível superior e ao mercado de trabalho.
Quando empregados (as) os níveis salariais também servem para denunciar a discriminação econômica e de gênero. Conforme Sueli Carneiro e Thereza Santos, na obra "Mulher Negra”: 83,1% das mulheres negras trabalham na agricultura e na prestação de serviços (principalmente como empregadas domésticas); 60% não têm registro em carteira. Quanto à média salarial, os homens brancos recebem 6,3% salários mínimos (s.m), os negros 2,9 s.m, as mulheres brancas 3,6 s.m e a s mulheres negras 1,7 s.m Tais dados tornam-se ainda mais gritantes quando se estima que o número de mulheres chefes de família no país varia entre 20% e 25%. As condições de trabalho e salários destas mulheres refletiram diretamente no grau de pobreza dessas famílias.
O projeto do Dia Estadual da consciência negra a ser comemorado em cada dia 20 de novembro originou a Lei de n.º 12056 de 12 de janeiro de 1993, onde estabelece que o Governo e a Assembleia legislativa promoverão atividades alusivas a esta data. Ficou instituído também que as comemorações nas escolas públicas estarão relacionadas à dedicação das atividades curriculares para abordagem de temas relativos à participação do negro na história do Brasil. Remeto-me, nesse momento, a todos aqueles que lutam alguns chegando a dar a própria vida, em nome da liberdade, da democracia e do respeito às diferenças. Dos povos indígenas à Zumbi dos Palmares; dos negros (as) escravo (as) a Joaquim Nabuco, de Chica da Silva aos poetas Cruz e Souza, Lima Barreto; de Castro Alves à Jorge Amado; do Mestre Aleijadinho ao Geógrafo Milton Santos; de Chiquinha Gonzaga aos guerrilheiros e guerrilheiros do Araguaia. Nesta data símbolo da resistência saúdo a todos que lutam e lutaram na construção de um mundo justo e igualitário.
Para a socióloga Antônia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o "Dia da Consciência Negra" "como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico".


Referências bibliográficas: 
ACDS – Associação Cultural e Desportiva Samburá.
DIEESE - Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A TRANSFORMAÇÃO DO TERRITÓRIO DO AMAPÁ EM ESTADO


A Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, transformou os Territórios Federais de Roraima e Amapá em Estados da Federação. Governava o Brasil José Sarney. Por quase 45 anos o Governo Central administrou essas regiões. Governava o Amapá naquela época Jorge Nova da Costa que assumiu em julho de 1985 até abril de 1990.
Fernando Collor de Mello é eleito presidente do Brasil em outubro de 1989, quando tomou posse em março de 1990, o governador Nova da Costa foi exonerado, isso gerou um problema na administração amapaense, pois, o governador não aceitou a exoneração e recorreu à justiça.
“... Não aceitou, amistosamente, a decisão do presidente da República e recorreu à justiça para permanecer à frente do governo estadual até a posse do primeiro governador eleito. Enquanto o impasse persistia, interinamente, assumiu o governo estadual, o tenente-coronel Dolly Mendes Boucinha, até 25 de maio de 1990, quando foi efetivado no cargo, o advogado sergipano Gilton Pinto Garcia, que governou por sete meses e dias, iniciando algumas obras de infraestrutura e saneamento; e concluindo outras para abrigar as instituições públicas necessárias ao funcionamento do Estado.”
Fernando Rodrigues dos Santos, pp 85-86
A representação parlamentar federal teve aumento com oito vagas na Câmara Federal e três vagas ao Senado. A novidade era o Parlamento Estadual com vinte e quatro vagas para deputados e a eleição direta para governador e vice.
“Com a transformação do Amapá em Estado foi aumentada e ampliada a representação parlamentar a nível federal, passando a ter direito a oito vagas à Câmara dos Deputados e três ao Senado. No âmbito estadual, o eleitorado amapaense teve assegurada a prerrogativa de eleger o governador e os deputados estaduais.
Nas eleições de outubro de 1990, com exceção dos deputados Eraldo Trindade (PFL), Sérgio Barcellos (PFL), Fátima Pelaes (PFL), Murilo Pinheiro (PFL) e Valdenor Guedes (PTB) e os senadores Henrique Almeida (PFL) e Jonas Pinheiro (PTB), os demais eleitos eram de oposição, a saber, Gilvan Borges (PRN), Aroldo Góes (PDT) e Lourival Freitas (PT), e o senador José Sarney (PMDB).
O deputado Anníbal Barcellos, nesse pleito, concorreu ao governo do Estado, conseguindo eleger-se, derrotando, no segundo turno, uma coligação de esquerda, liderada pelo candidato do Partido dos Trabalhadores, o médico e à época vereador, Gilson Rocha.
Os deputados estaduais eleitos foram num total de 24, dos quais 18 elegeram-se, sobremodo, com apoio político de Anníbal Barcellos. Sendo maioria, elaboraram uma Constituição Estadual, seguindo as orientações políticas do governo, a qual foi promulgada em 20 de dezembro de 1991.”
Fernando Rodrigues dos Santos, pp, 86/87
Com extensão territorial de 142.827,897 quilômetros quadrados, o Amapá é uma das unidades federativas que integram a Região Norte. Conforme dados divulgados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população total do estado é de 669.526 habitantes, correspondendo a 0,35% do contingente populacional do Brasil.
O Amapá apresenta grandes vazios demográficos, visto que sua população relativa é baixa – apenas 4,7 habitantes por quilômetro quadrado. Por outro lado, apresenta uma das maiores médias de crescimento demográfico do país: 3,4% ao ano. Esse fato se deve, além do crescimento vegetativo, ao grande fluxo migratório com destino à região.
O Estado detém uma das maiores médias nacionais de urbanização (89,8% dos habitantes vivem em zonas urbanas). A capital, Macapá, abriga mais da metade da população estadual: 398.204 habitantes. Existem ainda outros 15 municípios, sendo que os mais populosos são: Santana (101.262), Laranjal do Jari (39.942), Oiapoque (20.509), Porto Grande (16.809) e Mazagão (17.032).
Com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,780, o Amapá possui a melhor média da Região Norte e a 12ª do Brasil. A taxa de mortalidade infantil é de 22,5 óbitos a cada mil nascidos vivos, um pouco acima da média nacional, que é de 22. Outro aspecto positivo é a alfabetização, pois 97,2% dos amapaenses com idade superior a 15 anos são alfabetizados. Contudo, um dos grandes problemas do Estado são os serviços de saneamento ambiental, que atendem apenas 37% das residências. O Amapá está localizado ao norte do Brasil e na América do Sul, faz limites com a Guiana Francesa e Suriname.
Os limites do Estado do Amapá são os seguintes: A oeste, sul e sudeste o Estado do Pará; a leste o Oceano Atlântico; a noroeste faz limites com o Suriname e ao norte com a Guiana Francesa. Os *pontos extremos do Amapá ficam localizados: Ao norte – Cabo Orange; ao sul – 32 km da foz do Rio Jari; a leste – Cabo Norte; a Oeste nascente do Rio Jari.
Os *pontos extremos são os lugares mais distantes de um país, estado ou município, levando em consideração uma linha reta de Leste-Oeste e de norte-sul.
O Amapá possui 16 municípios: Macapá que é a capital, Mazagão e Amapá (1943). Em 1945 foi criado o município de Oiapoque e em 1956 o de Calçoene. Em dezembro de 1987 Santana, Tartarugalzinho, Ferreira Gomes e Laranjal do Jari. Em 1º de maio de 1992 Amapari, Serra do Navio, Cutias, Porto Grande, Itaubal e Pracuúba. Em setembro de 1994 Vitória do Jari.
“A Constituição de 1988 transformou o Território do Federal do Amapá em um Estado Federado. Com essa mudança, o Amapá passou a ser, ao lado de Roraima, os mais novos estados brasileiros na época. Tal transformação significou as seguintes mudanças para a sociedade amapaense: a população poderia escolher, por meio de eleições diretas, como no restante do país, o governador, deputados estaduais, prefeitos e vereadores de seus municípios; a Assembleia Legislativa seria organizada para criar a primeira Constituição do estado, aprovando as leis locais, que antes eram feitas pelo Governo Federal; a organização da economia local seria agora responsabilidade maior do Governo Estadual e da própria sociedade amapaense...”
Amapá: Vivendo a nossa história. Mª Emília Brito Rodrigues e Marcelo André Soares. Curitiba: Base Editora, 2008, p. 78.
 BIBLIOGRAFIA:
 RODRIGUES, Mª Emília Brito e SOARES, Marcelo André. Amapá: Vivendo a nossa História.   Curitiba: Base, 2008.
             SANTOS, Fernando Rodrigues dos. História do Amapá. Macapá: Valcan Ltda, 1994.
             http://www.brasilescola.com


sábado, 28 de setembro de 2013

CONEXÃO AMAPÁ-HOLANDA

     Mesmo sob perseguição portuguesa, foi intenso o comércio entre holandeses e índios no extremo norte do Brasil.
     Lodewijk Hulsman.
     Pieter Swaerooch era um comerciante de arenque na cidade de Enkhuizen, norte da Holanda. Seu filho, Jan, pertencia a outra geração: foi um dos muitos holandeses que desbravaram a Amazônia no século XVII, especialmente na região do Amapá. Esta aventura específica acabou em tragédia, com o desaparecimento de Jan. Seu pai foi em busca de justiça e, com isso, nos legou documentos preciosos para entender aqueles tempos.
     Duas testemunhas viajaram com Jan Swaerooch para o rio Amazonas em dois momentos. Na primeira viagem, no início do século XVII, foi com o carpinteiro Pieter Luijt, que declarou que Jan tinha sido deixado como feitor, acompanhado por dois marujos, na costa do Amapá. Luijt foi encarregado de negociar mercadorias com os índios e preparar uma carga para Jan. Como este não apareceu, Luijt trocou parte de seu carregamento por uma passagem de volta à Holanda. Declarou também que os índios dali estavam livres e que Jan nunca roubara nada de ninguém, exercendo um comércio pacífico. Na segunda viagem, em 1615, a testemunha foi um garoto que servia como trompetista no navio de Jan Swaerooch.
     Ele declarou que a embarcação fora atacada e queimada por portugueses, que mataram toda a tripulação e só pouparam a vida dele. Ao tomar conhecimento deste depoimento, Swaerooch, pai, alegou que a ação dos portugueses era um crime, porque os holandeses tinham um tratado de paz com o rei Felipe da Espanha e de Portugal. Seu filho não era pirata, mas um comerciante legítimo. 
     A visão dos portugueses era diferente: os holandeses eram, sim, piratas ou corsários. Qualquer comércio direto com os índios era considerado uma infração, pois eles eram propriedade do rei de Portugal, como estabelecia o Tratado de Tordesilhas.
     A república dos Países Baixos vivia a trégua dos 12 anos (1609-1621), oficialmente em paz com Portugal e Espanha, ambos sob a tutela de Felipe III. À época, companhias holandesas estabeleceram feitorias na costa das Guianas, do rio Orinoco à foz do Amazonas. Elas eram abastecidas por navios holandeses, que também levavam provimentos às feitorias dos ingleses e irlandeses, concentradas na costa do Amapá, entre o Cabo do Norte e o rio Paru. 
     Não faltam registros e relatos desse período. Em 1618, por exemplo, Lourens Lourensz viajou como marujo da província holandesa de Zelândia para o Amapá. Sua embarcação naufragou pelo efeito da pororoca no rio Clapepour. Ele se salvou com mais dois companheiros, mas caiu nas mãos dos índios aracouros, dos quais foi escravo durante oito anos. Por sorte, um dia foi encontrado por zelandeses que comercializavam na costa, e enfim libertado em troca de um fuzil e alguns machados.
     Finda a trégua, a situação tornou-se ainda mais complexa, com a volta da guerra e da perseguição portuguesa. Holandeses cogitaram fundar uma colônia no delta amazônico em 1623. O grupo – vindo da região da Valônia – chegou à costa do Amapá no momento em que um ataque do capitão Luís Aranha de Vasconcelos tinha acabado de ser rechaçado dali. Aranha viera do rio Xingu, mais ao sul, onde tinha destruído dois fortes zelandeses. Os valões visitaram as plantações de tabaco feitas por ingleses e irlandeses na serra do Tucuju, mas preferiram não ficar lá com medo dos ataques dos portugueses. Na volta, conheceram o sítio Roohoeck, atual Macapá, onde foram encontradas urnas funerárias indígenas, indicando que os nativos começavam a se retirar dali para evitarem as incursões dos colonos portugueses de Belém.
     Índios e europeus uniam-se para plantar e exportar principalmente tabaco, além de madeiras nobres, urucu e algodão. A demanda do tabaco estava em alta na Europa e o produto ainda mais valorizado depois de os espanhóis proibirem o cultivo no Caribe, em 1606. Centros produtores posteriores, como Barbados e Virgínia, ainda não estavam em funcionamento. A cidade de Vlissingen, na província da Zelândia, era o centro do comércio do tabaco amazonense nos Países Baixos, servindo de base também para as empresas inglesas e irlandesas.
     Os mercadores zelandeses que participavam da Companhia das Índias Ocidentais insistiram em novas expedições mesmo depois da destruição dos fortes no rio Xingu. Um assentamento estabelecido perto de Mandiatuba, em 1625, por uma expedição chefiada por Nicolaes Oudaen, foi destruído pouco tempo depois da sua fundação. As forças portuguesas continuavam a destruir as plantações e as casas-fortes na costa do Amapá, ao sul do rio Anuerapucu. A última grande expedição partiu de Vlissingen em 1629, incluindo muitos irlandeses. Sob o comando do capitão Gelein van Stapels, ergueram uma fortaleza em Torego, ao sul do rio Anuerapucu, e plantaram tabaco junto com os índios. 
     Um dos integrantes da expedição, Gedion Morris, foi feito prisioneiro pelos portugueses e teve de trabalhar como feitor durante sete anos. Depois que voltou para Zelândia, escreveu vários relatos sobre suas experiências. Segundo ele, os índios tockeans e aruans que comercializavam com os holandeses eram punidos com a escravidão. Depois do fracasso de Torego, os holandeses desistiram de grandes empreendimentos na costa oriental do Amapá, que começou a ser despovoada.
     Mas a presença holandesa não se limitava àquela região. Desde o início do século XVI, navios aportavam na costa Atlântica entre o Cabo do Norte e o Cabo Orange – no extremo norte do Amapá e do Brasil. Ancoravam perto dos lagos do rio Maiacaré e lá compravam peixe-boi dos índios, depois salgado e conservado em barris. A iguaria tornou-se um prato regular na mesa dos soldados holandeses no Suriname. Em 1670, o governador Lichtenberg escreveu que aquela carne, se obtida entre abril e junho, começava a apodrecer apenas em dezembro. E avisou que um carregamento de machados, facas, contas e outras mercadorias era essencial para comprar peixe-boi junto aos índios na costa de Amapá. De Maricary os navios zarpavam novamente, passando pela costa da Guiana e entrando no mar do Caribe.
     Jan Claes Langedijck foi um dos que compraram peixe-boi dos índios no rio Aricary, nome dado pelos holandeses ao rio Calçoene, quando de uma parada em sua viagem para a ilha de Caiana, onde fundou uma colônia holandesa em 1655. A iniciativa cresceu a partir de 1660, com a chegada de colonos judeus experientes no cultivo da cana no Brasil. Os peixes-boi que alimentavam esses colonos no Caribe continuaram sendo adquiridos na costa atlântica do Amapá.
     Em 1689, Jan Reeps – outro Jan – recebeu uma patente dos Estados Gerais – o supremo governo da República Neerlandesa – para fundar uma colônia entre o Cabo Orange e o Cabo do Norte. Ele divulgou num panfleto que os índios gostavam dos holandeses e com eles comercializavam peixe-boi, urucu e tabaco. Mas a expedição de Reeps naufragou na costa do Maranhão e os sobreviventes passaram por muitas aventuras antes de conseguir navegar até o Suriname.
     Os povos indígenas não eram clientes fáceis. As mercadorias que os holandeses levavam para troca não eram produtos baratos, e os índios muitas vezes os recusavam. Os holandeses chamavam o carregamento de cargasoen: uma gama de produtos para clientes específicos. Para o comércio com índios, o cargasoen tinha sempre machados de vários tipos – em geral entre 500 e 1.000 unidades – milhares de facas de formas e tamanhos diferentes embaladas em barris, e enxós para fazer canoas. As contas de vidro eram um produto especializado, logo incorporado pelas sociedades indígenas nas miçangas e como adorno de urnas funerárias.
     Os marinheiros deram nomes holandeses aos lugares no Amapá: Appelrack (igarapé de maçã), Naugat (buraco estreito), Hoek van Waterhuys (esquina da casa d’água) e Roohoek (esquina vermelha). Muitos nomes desapareceram, como Aripoke, Sapenou, Weye, Waetali e Puripore. Outros ficaram, como o do rio Araguari, originalmente Arriwarie. Na costa atlântica há o rio Clapepouri, onde Lourens naufragou em 1618. Mais ao norte, o rio Cassepourié hoje chamado de Cassiporé. A maioria dos povos da região não pertencia ao tronco linguístico Tupi, mas aos troncos Aruaque e Caribe. Na mistura de nomes e línguas, mais um testemunho daquelas intensas relações: holandeses e indígenas convivendo no Amapá.
Os muitos povos do Amapá
     No século XVII, a área do Amapá era habitada por vários povos indígenas. No norte, perto do rio Cassiporé, viviam os aracouros, ancestrais dos palicours que hoje vivem em torno do rio Uaça. Os mayés, que habitavam os pantanais ao sul do Cassiporé, desapareceram e só deixaram seu nome no Monte Mayé. Moravam em casas de palafitas, onde se entrava por pontes feitas de árvores, parecidas com as dos waraos, que vivem no delta do rio Orinoco. Os aricaris, que tiveram um grande comércio de peixe-boi com os holandeses, também desapareceram. Parte deles se mudou para oeste da ilha de Caiana na metade do século XVII. 
     Os maraons, que habitavam o interior e a aldeia Sapenou, integraram-se aos palicours com o nome de marawan. Os aruás ou aruãs, que viviam nas ilhas da foz do rio Amazonas e na costa ao sul do Cabo do Norte, desapareceram no século XIX. Eles foram parceiros comerciais dos holandeses durante muito tempo. Os tockeans, provavelmente os tucujus encontrados em fontes portuguesas, também se integraram aos palicours. O destino dos yaos, grandes aliados dos holandeses, ainda não foi identificado pelos antropólogos e historiadores. Talvez sejam ancestrais dos atuais tiryós.
     Lodewijk Hulsman é historiador da Universidade de Amsterdã e coautor do Guia de Fontes Holandesas (Projeto Resgate, 2001).
     Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/conexao-amapa-holanda